A vida é um caos.
Não lhe trouxe nenhuma novidade, mas algumas verdades têm de ser repetidas quase como um mantra, pra que em algum momento tome forma e se torne algo paupável. Mas a vida é um caos concretamente, não preciso dizer isso à mim mesma por mais de uma vez. Ela está ai, na minha cara, teza, rígida e rindo de mim. Até eu mesma rio de mim, sou patética.
A vida é patética.
A gente perde tanto tempo, com tão pouca coisa. Ninguém percebe que por trás dessa fantasia existe um "tic-tac" alucinante, desesperandor, angustiante. Céus, o tempo corre! E o que fica disto, além de uma mágoa ou outra, ou na melhor das hipóteses, um recorte de um momento dotado de uma mediocridade ímpar?
A vida é medíocre.
Ou seria o ser humano? Mas o essencial na vida é SER humano! A gente ri, a gente chora...a gente corre, quase sempre paramos...e achamos isso o melhor feito, nada mais é preciso, porque eu fiz, aconteci, tornei verbo.
Você não é nada, encare os fatos! O que você fez até aqui não foi nada! Pode morrer hoje, não faz diferença. Um ou outro vai chorar, mas nada que o tempo não resolva. E no final, é perceptível que vinhemos parar num lugar pra nada, e nada levamos conosco.
Mas a vida não é um "nada", a não-existência, um eco permanente. A vida é tudo, a única coisa realmente valiosa que possuímos. E por mais caótico, patético e medíocre que possa parecer, de tudo fica um pouco, inclusive nada.
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