sábado, julho 26, 2008

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No meio do jardim, o buraco gigantesto. Cavado às pressas, porque me disseram que seria a única solução: esperar dentro dele que a terra caísse de volta. Avalanche que me encobria aos poucos, no meio do jardim, o buraco enorme. Cavado porque me garantiram que não haveria mais jeito.

Não adiantava podar, regar, replantar. Eu já era raiz morta. Ramificações em decomposição, caule comido por cupins. Folhas arrancadas por criança maldosa. Não adiantava me colocar no canto da janela, debaixo do sol, forçar fotossíntese. Minha vida já era fruto bicado por passarinhos, maçã cheia de bichos, caída sobre a grama.

Ainda vivo, mas apodrecida no meio do jardim, num buraco gigantesco. É dentro dele que eu espero sem nenhuma amargura. Sigo esse ciclo incessante porque me disseram que seria o único jeito. Voltar a ser semente e começar tudo outra vez.

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