Quero contar-lhe um segredo. O meu registro pessoal mais secreto, guardado à sete chaves perdidas e sem intenção de descoberta.
Quero falar-lhe do incomum, do diferente, do imparcial, do redundante. Do sentir indubitável, do inconstante descompasso das sensações e até das peças que as mesmas me pregaram. E quero que preste atenção no momento em que isso ocorrer. Sim, quero meu minuto de egoísmo; à autocontemplação, infle o meu ego. E quero que seja pleno, não quero metade, não aceito metade!
Eu não vivo inteira há um certo tempo, você deve saber disto. Já me vi perdida, desorientada, sozinha, abandonada, deixada ao léu de um destino que, infelizmente, você não fazia parte. Eu caí, me arrastei, tomei gosto pelo chão e cheguei a pensar que o subnível do viver era o meu "doce" futuro reservado. Eu me acomodei, é verdade, e até gostaria de pôr a culpa em alguém, mas eu assumo, é minha! Aprendi e tenho aprendido, e você tem sido a parte mais prazerosa do meu aprendizado.
É provável que nem tenhas noção de nada aqui revelado, mas você é perspicaz, eu sei que é. E acima de tudo, confiável àquilo que estou lhe entregando. Portanto, atente-se à cada palavra aqui escrita e que uma certeza apenas permaneça à ti: Que fique claro às escuras o quanto te desejo por perto. E que o longe seja a mais remota possibilidade da minha vida.
No mais, peço encarecidamente que o tempo pare à cada abraço, beijo, toque ou pensamento. E se isto não ocorrer, tudo bem. Quem se viu perdido um dia sabe muito bem aproveitar cada segundo como se fosse o último e ser indescritivelmente feliz.
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